Ela recolhe pedaços de si
como quem tenta colar um espelho quebrado
sem saber se o reflexo que retorna
é seu ou inventado.
As palavras que escutou
são labirintos dentro dela,
tantas voltas, tantas portas,
e nenhuma saída.
No início havia certeza,
um chão firme,
mas aos poucos cada passo
foi sendo negado —
até que o chão desapareceu.
Agora se pergunta:
foi sonho? foi engano?
terei confundido a luz com sombra,
o não com sim,
a dor com carinho?
Há uma voz que diz
que ela erra ao sentir,
que delira ao lembrar,
que exagera ao existir.
E ela, exausta,
luta contra o próprio coração,
como se nele houvesse um inimigo
que não é seu.
Entre grades invisíveis,
ela se move em silêncio,
cansada de tentar provar
a própria verdade —
um pássaro que esqueceu
que ainda possui asas.

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