sexta-feira, 15 de agosto de 2025

HBTMJHIUJOH

 


Ela recolhe pedaços de si

como quem tenta colar um espelho quebrado

sem saber se o reflexo que retorna

é seu ou inventado.


As palavras que escutou

são labirintos dentro dela,

tantas voltas, tantas portas,

e nenhuma saída.


No início havia certeza,

um chão firme,

mas aos poucos cada passo

foi sendo negado —

até que o chão desapareceu.


Agora se pergunta:

foi sonho? foi engano?

terei confundido a luz com sombra,

o não com sim,

a dor com carinho?


Há uma voz que diz

que ela erra ao sentir,

que delira ao lembrar,

que exagera ao existir.


E ela, exausta,

luta contra o próprio coração,

como se nele houvesse um inimigo

que não é seu.


Entre grades invisíveis,

ela se move em silêncio,

cansada de tentar provar

a própria verdade —

um pássaro que esqueceu

que ainda possui asas.


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Cinzas do que se quer de volta




Hoje só cinzas,

distante do fogo de antes

do ímpeto de antes

da coragem de antes.


Hoje só cinzas,

sinal daquilo que se esqueceu

da jovialidade que evaporou

que o tempo, em um sopro,

dissipará no ar o que restou


Hoje só cinzas,

e a sombra daquilo que se era

agora aprisionada

gritando pra sair

esperando ser vista

ser lembrada


Jaz ali

nem tão beautifull

e nem tão young

ca(n)sada


Hoje só cinzas,

daquilo que parecia não ser interessante,

que anulou sem ter porquê,

sem mesmo saber


Hoje envolta de cinzas,

surtando surdamente.